Interpretado pela Socióloga Natividade Gomes Augusto
. BERTRAND do Vasco da Gama, no dia 29 de Setembro de 2007, na companhia do comentador advogado Matos Santos.
. FNAC de Cascais, no dia 04 de Outubro de 2007, na companhia do comentador Jornalista José Mussuailli.
Decidi aceitar com agrado o convite da escritora Rosana António para a apresentação do seu livro “Quem tem boca vai a Roma” por dois motivos. Primeiro pelas características pessoais da autora, extremamente dinâmica e empenhada, com uma grande capacidade de mover e liderar grupos. Esta ultima característica vim a observa-la quando lhe dei aulas na universidade. A Rosana assumia com determinação a rédias de liderança nas apresentações de grupo, o que se veio a repercutir em elevados resultados. Em segundo lugar, pelos seus excelentes conhecimentos técnico-profissionais e inter-culturais. Esta cor inter-cultural da Rosana foi obtida no percurso vivido em várias cidades da Europa, tendo esta incorporado os múltiplos valores intrínsecos às respectivas sociedades de acolhimento. Toda esta riqueza cultural é reflectida neste livro, através do relato de diversas historias baseadas nas historias de vida de imigrantes vividos em Roma. Como socióloga e investigadora social, valorizo grandemente todo o texto/estudo/livro que tenha como base todo o tipo de ferramentas que relatem a realidade, neste caso a experiência pessoal da autora vivida em Roma. Durante a leitura destas historias, é imperioso ter a atenção não só ao seu romantismo mas essencialmente às características que identificam o fenómeno da imigração e de integração social. É de notar que este fenómeno difere de país para país dado que está relacionado com a forma como estão incrementadas uma quantidade de variáveis, de referenciar as politicas de integração, as leis nacionais de imigração, redes sociais, diferenças culturais, religião, etc.
No entanto, existem semelhanças que podem ser consideradas referências tipo. O facto de imigrar por dificuldades económicas, encontra-se exemplificadas nos vários contos. No conto três, a “ (…) Raquel (…) realizar o seu sonho, que era sempre aquele de ir para o exterior e fazer fortuna”, assim como no conto quatro “Sofia trabalhava muito para pagar algumas dividas que deixou no Brasil”.
É de notar também a semelhança na formação de redes de solidariedade, exemplificada no conto cinco, a Ruth (Colombiana) “(…) passava os seus domingos com a maioria dos latinos que viviam naquela cidade (…)”.
A partilha da cultura de cada um através da gastronomia é notada no primeiro conto “ (…) arroz africano de Catarina [guineense] e o bacalhau de Manuel [português]”.
A evidência de valores diferenciados e o choque inter-cultural: no primeiro conto são mencionados, “Catarina com um ar pouco submisso. Comportamento que ainda trazia de seu pais de origem (…)”; assim como no conto nº 3, o choque cultural Ítalo-brasileiro entre a brasileira Raquel, muito dada, faladora, e sentimentalista enquanto que o italiano Maurizio, era um homem de poucas falas, muito seco e racional.
O fenómeno de integração encontra-se associado com todas estas descrições, tornando-se na sua maioria penoso para os seus protagonistas. Na quinta história a Denise diz “(…) odeio este lugar, odeio os italianos, acho que não consigo viver aqui (…)”. Quando a integração na sociedade de acolhimento não se realiza, os actores imigrantes assumem por vezes comportamentos e estratégias desviantes. O conto três descreve um brasileiro que falsifica o passaporte português/europeu para entrar no Reino Unido.
Quase todos os imigrantes têm o sonho de voltar ao país de origem, no primeiro conto a personagem diz que pretende “(…) voltar de cabeça erguida mas principalmente em conseguir realizar seu grande sonho: comprar algumas terras para plantações e garantir o sustento da família”. No entanto os imigrantes brasileiros não pensam assim, uma vez que a necessidade de segurança do individuo social não é garantida no Brasil. Para os brasileiros “(…) Portugal parece um “Brasil tranquilo” ”.
Vou terminar o meu testemunho referindo a importância da migração na evolução das sociedades contemporâneas. Desde que a integração social, económica seja fomentada pelo país de acolhimento, todo o sistema beneficia. E através da migração que existe a transposição de saberes, de novas ideias, de inovação e de mudança. Por esse motivo todos os cidadãos devem estar atentos a este fenómeno, por forma a que as suas acções e comportamentos venham facilitar a integração destes novos elementos e conseguir beneficiar do conhecimento destes grupos.
